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Cobertura Especial Paul McCartney no Brasil
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Porto Alegre:
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O COMEÇO DA HISTÓRIA EM PORTO ALEGRE



Estádio Beira-Rio completamente tomado. Publico de 50 mil espectadores gritando e cantado hinos. Um verdadeiro domingo de clássicos na capital gaucha. O campo do Internacional assistiu a um verdadeiro show. Se fosse uma partida de futebol seria uma excelente introdução para a nossa conversa. Mas também casa perfeitamente com o que vou contar para você, amigo leitor.


O que eu vivi nesse último fim de semana em Porto Alegre é algo difícil de descrever tamanho tumulto de emoções. Mas, minha missão é colocar no papel o que vi, ouvi e senti. Então, me acompanhe.

Sir Paul McCartney está de volta ao Brasil para mais uma série de shows. Três apresentações nessa terceira vez em nosso País. O show de Porto Alegre, no último domingo, dia 7, abriu a temporada brasileira da Up And Coming Tour. Ainda teremos a etapa paulista que acontece nos dias 21 e 22 de novembro. Estarei também nos shows de São Paulo, assim como estive em todas as outras apresentações do ex-beatle no Brasil. Exagero, deve pensar o leitor. Nada disso. Cada show que assisti foi emocionante e diferente.

O show em Porto Alegre teve ingredientes complemente novos. Aliás, tudo estava diferente na capital gaucha. Começando pelo clima na cidade que antecedeu ao show. Hotéis lotados, aeroporto formigando, taxistas sorrindo, restaurantes cheios de gente de fora. A passagem de um artista tão respeitado e consagrado como Paul McCartney leva milhares de fãs ao show e deixa milhões de reais no comércio local. É como o Rei Midas, do rock.

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ENCONTREI OS MUSICOS

Na sexta-feira, logo que cheguei (já recuperado do susto quando um pássaro entrou na turbina do avião que me traria para esse fim de semana mágico) larguei a bagagem no hotel e fui em busca da credencial que me daria livre acesso ao local do show. No meio do caminho resolvi parar para almoçar. Pedi ao motorista do taxi que me deixasse numa área de restaurantes. Parei na Rua Padre Chagas, que os gaúchos chamam de Calçada da Fama – algo como o nosso Triângulo das Bermudas, na Praia do Canto. Entrei no primeiro restaurante à minha frente e .... dei de cara com Paul “Wix” Winckes e Abe Laboriel Jr.

Paul é o tecladista e Laboriel o baterista da atual banda de Paul McCartney. Meu Deus! Isso é mais que sorte. Sentei, fiz meu pedido e levei a mão à mochila em busca da máquina fotográfica. Outro susto no mesmo dia: a máquina fotográfica ficou no hotel. Mas como eu pude dar uma bobeira dessas? OK. Não vou perder a chance do contato. Levantei e fui até os sortudos músicos, pois, como sabemos, não é qualquer um que tem a honra e o prazer de tocar ao lado de Paul. Mas um músico precisa muito mais que sorte para subir ao palco ao lado do ex-beatle. McCartney é conhecido como um do melhores instrumentistas de sua geração, portanto carrega também a fama de ter um talento especial para convocar instrumentistas extremamente competentes.

A conversa com eles foi maravilhosa. Tive a oportunidade de falar com o baterista Abe Laboriel Jr sobre seu pai. Ele é filho de Abraham Laboriel, um lendário baixista que já foi apontado pela importante revista Guitar Player como o mais versátil do mundo. Já gravou com centenas de consagrados nomes como, por exemplo, Elton John, Miles Davis, Stanley Jordan, George Benson, Stan Getz, Ray Charles e Michael Jackson. Além dos brasileiros Djavan, João Gilberto, Gilberto Gil e até mesmo com o capixaba Roberto Carlos. Quando, no restaurante, falei disso, Laboriel, o filho, abriu um largo sorriso. E, quando brinquei dizendo que agora ele tocava com um baixista não tão bom quanto o papai Laboriel ele, imediatamente, disse: “Paul é o melhor baixista do mundo e o melhor cantor eu já ouvi”. Então nos despedimos e os dois competentes e sortudos músicos saíram andando pela calçada de fama.

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O SOM



Já final de sexta e início da madrugada de sábado aceitei o convite para ir até o Estádio Beira-Rio ver de perto a montagem dos equipamentos. Sir McCartney não havia chegado à cidade, mas seus técnicos já trabalhavam na montagem da estrutura do espetáculo há quase uma semana e os músicos da banda que o acompanha já estavam no Brasil há cinco dias.

Fui com Sergio Nigro e Miguel Lourtie da empresa Meyer Sound, que é uma líder mundial na fabricação de caixas de som. Parece simples e pobre dizer “caixas de som”. Na verdade trata-se de uma empresa que revolucionou o show bizz com inovações na área de projeção de som. A Meyer Sound é a fornecedora preferida entre as empresas de sonorização dos quatro cantos do planeta. E existe um cuidado muito especial quando o cliente é Paul McCartney. A prova disso é a presença no Brasil do português Miguel Lourtie, responsável técnico dessa empresa americana. Ele veio exclusivamente da Europa para dar suporte técnico a Gabi Som, empresa brasileira responsável pela montagem e locação dos equipamentos utilizados na etapa nacional da Up And Coming Tour.

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O PALCO



A imagem que vi parecia loucura. Era madrugada, as arquibancadas do estádio estavam vazias, mas o gramado parecia um formigueiro humano. Quase dois mil profissionais andavam para cima e para baixo acertando os últimos detalhes do som e da luz. O gigantesco palco já estava totalmente erguido. Ao fundo uma enorme parede de leeds, micro lâmpadas que criam um painel com centenas de possibilidades de efeitos e cenografias.

Então, não resisti. Subi ao palco. Ainda não tinha nenhum instrumento. Palco limpo, totalmente limpo. Fui até o centro onde já tinha um “x” de fita crepe marcando o exato local onde seria ocupado por Paul McCartney. Olhei para frente e vi o Beira-Rio com as arquibancadas vazias e com o gramado coberto por um enorme tapete plástico de proteção. E fiquei imaginando a emoção que deve sentir Paul McCartney ao se apresentar para uma apaixonada platéia de 50 mil pessoas. Neste momento, a maior emoção foi minha.

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O SGT PEPPER´S

Saí do estádio e, antes de voltar para o hotel, dei uma passada no Sgt. Peppers Lonely Hearts Club, um famoso restaurante com música o vivo que fica na Rua Dona Laura no bairro Moinhos de Vento. O local funciona há 20 anos e se transformou num emblemático ponto de encontro dos beatlemaníacos gaúchos. Lá encontrei Alexandre Vieira, um dos proprietários, que também é músico e, de quando em vez, sai detrás do balcão para se apresentar ao lado da banda Corações Solitários. Alexandre confirmou que a cidade estava lotada de turistas de todo o Brasil e que o comercio local estava bem aquecido. Mas o que senti mesmo foi muito frio nos poucos quarteirões que andei entre o Sgt. Peppers e o hotel em que fiquei hospedado.

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ELE CHEGOU



Sol e céu azul na manhã de um sábado perfeito. Pela cidade, inúmeras pessoas andando pelas ruas com camisetas dos Beatles e, principalmente, com o rosto de Paul McCartney. Uma clara declaração de amor ao ex-beatle pela escolha da cidade.

Voltei à Calçada da Fama para almoçar e não é que aconteceu de novo. Ao sair do restaurante dei de cara com Brian Ray e Rusty Anderson, os guitarristas da banda de Paul McCartney. A dupla vinha subindo a rua carregando sacolas de supermercado. Eu, dessa vez, estava com a máquina fotográfica e registrei o inusitado encontro. Em que cidade do mundo eu poderia ter a sorte de encontrar todos os músicos que formam a banda de um ex-beatle, e na mesma rua? Na sexta-feira o baterista Abe Laboriel Jr. e tecladista Paul Wickens. E no sábado os guitarristas Brian Ray e Rusty Anderson.

No meio da tarde, a informação: McCartney desembarcou em Porto Alegre no final da manhã, e não chegou sozinho. Trouxe a filha mais velha. Mary Anna McCartney, de 42 anos, que segue os passos da mãe Linda. É fotografa e acaba de lançar um livro. A presença de Mary no Brasil é mais uma prova que Paul tenta fazer de suas longas e demoradas turnês algo agradável e familiar.

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PASSAGEM DE SOM



Exatamente às oito e meia da noite de sábado, quando estava jogado na cama do hotel, recebi um torpedo com a seguinte mensagem: “foram passar o som”. Quem me enviou essa preciosa informação foi o Lucio Brancato, jornalista da RBS e um dos responsáveis pela coordenação da cobertura da emissora de televisão gaúcha. Lucio passou o tempo todo na cola de Paul McCartney, tanto que estava praticamente morando no hotel onde o musico se hospedou.

Então pulei da cama e corri para o Beira-Rio. No estádio passei por diversas barreiras e cheguei ao lado do palco onde fiquei, desligado, prestando atenção nas músicas. Uma aula de profissionalismo. Por dezenas de vezes acompanhei shows de grandes artistas e não me lembro de ter visto um astro da grandeza de Paul McCartney se preocupando em passar o som, de fazer pessoalmente acertos técnicos.

Tudo parecia um sonho até que uma gigantesca mão tocou no meu ombro e uma voz poderosa perguntou se eu tinha autorização para estar ali. Diante da minha negativa o segurança me encaminhou até a saída mais próxima. No caminho passei pelos carros blindados que transportavam o ex-beatle pelas ruas de Porto Alegre e pelos 12 batedores da Polícia Militar, e suas motocicletas, responsáveis por abrir o trânsito para o ilustre convidado.

No dia seguinte fui informado por Paul Boothroy, que o engenheiro de som McCartney há mais de 20 anos, que o sound check (passagem do som) durou mais de duas horas. E disse mais: “o chefe ainda veio até a house mix – local onde ficam os técnicos e equipamentos em frente ao palco – para acertar a luz. Ele colou uma pessoa lá em frente ao microfone e fez acertos na iluminação”. O detalhista Paul McCartney assina também a direção de cena de seus espetáculos.

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MESA REDONDA

Mas a noite não acabou após a minha retirada no meio da passagem de som. Quando o relógio bateu meia noite já estava participando de uma mesa redonda na Radio Gaucha. Na verdade se tratava de uma espécie de “vigília cultural” antes do show de McCartney. Éramos cinco, sob o comando de Roberta Pinto e Luciano Costa, falando de Beatles e suas influências. Uma conversa dinâmica que teve até a participação, ao telefone e direto de São Paulo, de Amanda Apple, atualmente conhecida como a jornalista das flores da TV Globo. Amanda, que é gaucha, mora e trabalha na capital paulista. Aos oito anos de idade resolveu trocar seu sobrenome para Apple em homenagem aos Beatles (Apple é o nome da gravadora fundada por eles). E, durante muitos anos, ela manteve um programa de rádios sobre os Beatles em emissoras do Rio Grande do Sul.

E foi na Rádio Gaucha, de onde sai às 4:00 da manhã de domingo, que ficamos sabendo: Paul McCartney fora convidado para jantar na casa dos proprietários da Rede RBS, mas preferiu, depois da passagem de som, ir direto para o hotel. Os convidados, entre eles o apresentador Luciano Huck, esperaram em vão pela presença do convidado principal da noite.

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O DIA DO SHOW



Domingo de muito sol e céu azul na capital gaucha. Às 13:30 horas pisei no gramado do estádio Beira-Rio. Queria me preparar para assistir ao show de Paul McCartney. Fui direto para a central de controle (house mix), que é a ilha de equipamento em frente ao palco. Fiquei lá, na sombra, até o horário da passagem de som. Isso mesmo. Paul McCartney marcou novo sound check para 16:00 horas. Na verdade é quase um compromisso comercial. O fã interessado em assistir teve que desembolsar R$ 1.500,00 para ter o privilégio de assistir tudo de perto. No horário combinado, Sir Paul McCartney entrou no palco. Calça branca, camisa jeans azul clara, tênis branco e de óculos escuros.

Debaixo de um forte calor Paul McCartney cantou, tocou piano, baixo, violão, acenou para os fãs bem afortunados, falou algumas palavras em português, e até puxou “parabéns pra você” para uma menina que carregava uma faixa dizendo ser o dia de seu aniversário. A passagem de som durou uma hora e meia. Paul se despediu da pequena platéia (cerca de mil pessoas), saiu de cena e os portões do estádio foram abertos.

Estavam presentes nesse momento do sound check dois grandes amantes da música e da história dos Beatles: o pesquisador e produtor Marcelo Fróes e Ricardo Martinelli, que é músico e grande colaborar do Portal Beatles Brasil.

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ENCONTREI BEATLEMANÍACOS



Impressionante como tivemos a presença em Porto Alegre de Beatlemaníacos do Brasil todo. Como disse, encontrei na passagem de som com Marcelo Fróes e Ricardo Martinelli. Também, já no conforto da sala de imprensa, falei por alguns minutos com Marco Antonio Mallagoli. Mas conheci muita gente interessante, anônimos e com histórias surpreendentes. Por exemplo: uma figuraça de Pernambuco (que tem um nome difícil de lembrar) vendeu um moto de estimação para ir assistir Paul McCartney em Liverpool. Uma pessoa tão determinada assim não faltaria ao show de McCartney em Porto Alegre, certo?

Na verdade o meu grande prazer nessa viagem foi poder, finalmente, conhecer o JC (José Carlos Almeida), que é um dos sócios do Portal Beatles Brasil. JC é um baiano arretado, inteligente, determinado e batalhador. Nós, admiradores do legado dos Beatles, devemos muito a dupla JC e Zé Lennon pelo magnífico trabalho que executam. Um frustração: não conheci Zé Lennon na terra dele (e olha que tentei). Uma surpresa: na saída do hotel, na hora de pagar a conta, conheci Igor Karashima, de Brasilia, músico da banda Let It Beatles.

[Nota do JC: aquela figuraça de Pernambuco chama-se Sóstenes. Depois do show, comemoramos no quarto dele, tomando algumas cervejas. Realmente um grande prêmio ter conhecido esse cara!]

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CONVIDADOS VIPS



Os organizadores anunciaram que 50 mil pessoas estavam sendo esperadas. E, logo que os portões foram abertos, aconteceu a tradicional correria pelo melhor lugar em frente ao palco. Quase todos usando camiseta preta com o rosto de McCartney estampado no peito. Era possível sentir a expectativa no ar. Como também, mais uma vez, percebi que o publico de Paul é formado por admiradores de todas as idades. Inclusive não é exagero dizer que ele é um dos poucos artistas com capacidade de juntar todas as gerações da mesma família. É fácil localizar na platéia avô, filho e neto juntos.

Na área vip era possível localizar fãs famosos e de todas as idades. Por lá estavam as cantoras Marina Lima e Fernanda Takai, o tenista Guga, a colunista social Joyce Pascowitch , a dupla Kleiton e Kledir, o comentarista global Roberto Falcão e Dodi Sirena, empresário de Roberto Carlos e responsável pela presença de Paul McCartney em Porto Alegre.

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SHOW DE ABERTURA



Conversei com Kledir sobre a ausência, dele e do irmão, no show de abertura de Paul McCartney. O cantor e compositor gaúcho disse que a produção brasileira acabou não conseguiu acertar todos os detalhes necessários para um show de abertura que, logicamente, precisaria de um esquema para entrada e saída de outros equipamentos de palco: baixo, guitarra, bateria, teclado e seus devidos amplificadores. Inicialmente a produção local anunciou Kleiton e Kledir e Borgetinho como sendo as atrações de abertura. Na verdade tivemos o DJ Pic Schmitz que se apresentou ao lado do saxofonista Dublê Vinicius Neto e do guitarrista Fred Mentz, que passaram quase despercebidos de boa arte do público que esperava Paul McCartney.

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O ESPETÁCULO

Com 10 minutos de atraso McCartney pisou no palco. O estádio entrou em delírio. Paul respondeu com acenos. E, em português, soltou um “Boa noite Porto Alegre. Boa noite Brasil” e começou o show com as canções "Venus And Mars/Rockshow" e "Jet", do período Wings, e "All My Loving", clássico dos Beatles. E, clássico, musica de sucesso que todo mundo canta junto, foi o que não faltou.

Logo em seguida voltou a se comunicar com a platéia em português: “Obrigado gaúchos. Essa noite vou tentar falar português... mas vou falar mais inglês”. E, debaixo de aplausos e gritos, atacou com "Drive My Car", outra dos tempos dos Beatles.

Um ingrediente importante no espetáculo foi sentido logo nas primeiras músicas. Estou me referindo aos telões, as projeções. Nas laterais era possível acompanhar com riquezas de detalhes o que acontecia no palco. E, no fundo, atrás dos músicos, uma enorme parede de leeds projetando filmes e efeitos completava o impacto visual do show.

A iluminação era perfeita e surpreendente. Por várias vezes, os refletores colocados no teto do palco, desciam e subiam formando desenhos, completando as imagens projetadas e mudando a atmosfera das músicas. O som também funcionou como relógio suíço. Alto, forte e extremamente bem definido. Microfonia, nem pensar. E olha que aconteceram dezenas de trocas de instrumentos durante o show.

Logo depois da sexta música Paul McCartney tirou o casaco, ficando de camisa branca e suspensório preto. Foi a senha para começar uma nova seqüência musical. Mesclou canções não tão conhecidas do público (como "Highway", "Mrs Vanderbilt" e "1985") com clássicos do tempo do Wings, grupo que formou assim que os Beatles acabaram.

Paul também mostrou a sua reconhecida versatilidade como instrumentista. Tocou seu inseparável contrabaixo Hofner, duas guitarras diferentes, bandolim, dois pianos e um ukelele (instrumento tradicional do Havaí). Mas o que impressiona é a forma que o ex-beatle encontra para renovar as canções. Muito também pela qualidade dos músicos que dividem o palco com ele. Com energia, sutis modificações nos arranjos e interpretações vigorosas do quinteto conseguem dar vida nova para músicas como "The Long And Winding Road", "I've Just Seen A Face", "Dance Tonight", "Back In The USSR", "I've Got a Feelling", "Paperback Writer", "A Day In The Life", entre tantas outras.

E os momentos especiais continuaram. Paul, em português, diz: “Escrevi essa música para a minha gatinha Linda. Mas essa noite também é para todos os namorados”. E toca "My Love". O publico entra em êxtase. O conhecido solo dessa bela canção romântica dos anos 70 executado com maestria pelo guitarrista Rusty Anderson recebe um caloroso aplauso. Outro ponto alto vem com "And I Love Her". O baterista Abe Laboriel Jr assume o bongo enquanto o tecladista Paul Wickens marca o tempo da canção com uma clave. Paul McCartney e Rusty Anderson tocam violões. Paul, no final e debaixo de aplauso, solta um “Mas bah tchê!”. A gauchada quase morre do coração!

Paul, na canção "Blackbird", fica sozinho em cena. Ele e seu violão. Ao fundo é projetado o desenho de uma enorme árvore. No final da música um pássaro passa voando. Em outro momento, antes de tocar "Here Today", McCartney fala em português: “Essa eu fiz para o meu amigo John”. E mais. Na primeira parte de Here Today uma enorme lua desce do teto do palco para suspiro de todos. E na segunda metade da canção um globo terrestre gigantesco aparece lentamente. Um show para todos os sentidos.

Antes de começar a cantar Eleanor Rigby Paul fala, em português, outra gíria tipicamente sulista: “Tri legal”. Foi aplaudidíssimo. Mas um dos momentos mais emocionantes aconteceu quando, também em português, McCartney disse: “Essa próxima música é para o meu amigo George”. Ele então apresentou Something utilizando unicamente como acompanhamento o ukalele. No telão do fundo do palco foram exibidas fotos de Harrison e McCartney juntos em diversas fases da vida.

Uma curiosidade. Em certo instante, Paul McCartney interrompe o show e começa a ler um cartaz que estava sendo insistentemente erguido por duas meninas da platéia. ”Por favor, autografe meu braço para que eu possa tatuá-lo”, dizia o cartaz. Paul chamou as duas ao palco e, antes de assinar, perguntou o nome das meninas e de onde elas vinham. “Sou Eliza de Porto Alegre”, disse a primeira. “Sou Ana de Florianópolis”, disse a outra. Foi quando McCartney completou, em inglês: “E eu sou Paul, de Liverpool”

E tem mais. Também os clássicos "Band On The Run" e "Live And Let Die" tiveram destaque durante o show. Na execução de Band On The Run, música que dá nome ao disco e que acaba de completar 40 anos, os telões mostraram a conhecida foto da capa onde vários artistas importantes aparecem debaixo de um foco de luz dando a nítida impressão que estão fugindo da polícia. Só que a foto ganha vida. Acontece uma fusão com as imagens do making of da sessão de fotos que gerou a capa. E as tradicionais explosões em Live And Let Die (tema de um dos filmes da série 007) nesse show foram muito mais coloridas e festivas.

Mas ainda tinha sucessos por vir. Antes do bis ele tocou "Day Tripper", "Lady Madonna" e "Get Back". E, na volta para o bis final, ainda arriscou, em português, um: “Ah! Eu sou gaucho!”. E, chegando ao fim, todo o estádio cantou "Hey Jude", "Yesterday" e dançou ao som de "Helter Skekter" e "Sgt Pepper's". A última música do show foi "The End". A 35ª música de um repertório inesquecível.

Depois de quase três horas apagaram as luzes e o show acabou. Dessa forma, Paul McCartney encerrou sua passagem por Porto Alegre. Seguiu para Bueno Aires onde fará dois shows no estádio do River Plate. Depois, nos dias 20 e 21 de novembro, no Morumbi, acontecerão os dois últimos shows dessa temporada brasileira. Estarei em São Paulo para ver tudo isso de novo. Só espero que nenhum outro pássaro resolva entrar na turbina do avião que vai me levar de volta para casa.

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SÃO PAULO:
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18/11/2010 às 17h57

De malas prontas!

Vai começar tudo de novo! Estou fechando as malas e me dirigindo para São Paulo. Vou acompanhar de perto todos os movimentos de Paul McCartney na maior cidade da America Latina. Serão dois shows no Morumbi. O primeiro acontece no domingo, dia 21. O segundo no dia seguinte (segunda, 22 de novembro). Estarei enviando detalhes de bastidores para os queridos leitores do Folha Vitória. Vou tentar mandar sempre informações diferenciadas. Vou contar histórias de bastidores, do backstage. Espero que gostem.

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18/11/2010 às 18h03

O homem na frente de McCartney



Vou começar pela mesa de som, pela house mix (aquela ilha de equipamentos que fica bem em frente ao palco). Lá no palco sabemos que Sir Paul McCartney é imbatível. E que os músicos que o acompanham são também extremamente competentes. Mas por trás disso tudo – na verdade, bem na frente de tudo isso – tem o talento e o conhecimento técnico de Paul “Pab” Boothroyd.

Pab é o engenheiro de som das turnês de Paul McCartney. Estão juntos há 20 anos. Paul “Pab” Boothroyd é também responsável por trabalhos da banda AC/DC e do cantor e compositor Paul Simon, com quem já recebeu importantes prêmios.



Passei alguns dias ao lado de Pab em Porto Alegre e pude observar o quanto ele é tranqüilo no controle do som de Paul McCartney. É um profissional ligado, atento, atencioso e rígido, mas tranqüilo acima de tudo. Impressionante como consegue “entregar” ao público o melhor de Paul McCartney.

E, tradicionalmente, ao final de cada apresentação, o ex-beatle agradece o trabalho e a dedicação do amigo Pab. No período em que estivemos no Rio Grande do Sul juntos observei um detalhe interessante. Ao lado da mesa de som, bem pertinho de Paul “Pab” Boothroyd fica sempre um boneco do Godzilla. O pequeno mostro japonês é mascote de Pab. Uma espécie de talismã. Até parece que ele precisa disso! Em São Paulo receberei ajuda direta do próprio Pab para poder circular no Morumbi.

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19/11/2010 às 11h03

Operação de Guerra no Morumbi



Não existe nenhum exagero quando se diz que no Morumbi, nesse momento, está acontecendo uma verdadeira operação de guerra. São centenas de profissionais trabalhando arduamente para acertar todos os detalhes para os dois shows de Paul McCartney em São Paulo.

Andando pelo backstage é possível observar a enorme quantidade de caixas especialmente desenhadas para armazenamento de equipamentos e instrumentos. São caixas com selos, com etiquetas, da equipe internacional responsável pela excursão do ex-beatle pelo mundo.



Estacionadas no espaço que fica do lado de fora do estádio, bem perto da entrada que dá acesso ao fundo do palco, existem quatro enormes carretas que nesse momento estão vazias. Provavelmente são os veículos utilizados para transportar o equipamento, incluindo o palco, de Buenos Aires para São Paulo.

E tem muita gente andando de um lado para o outro. E muitos falando inglês. E, pela informação que pude colher, tudo é da produção da Up And Coming Tour, nome da excursão mundial de Paul McCartney que está também passando pelo Brasil.

O palco, toda a iluminação, os instrumentos, amplificadores de guitarras e baixo, microfones, bateria, dois pianos, câmeras de transmissão para o telão, os dois super telões de alta definição que ficam nas laterais do palco, o gigantesco telão de leeds que cria uma parede de 20 metros de altura no fundo do palco, mesas de som, enfim... quase tudo.

Do Brasil mesmo somente o sistema de caixas de som que ficam penduradas nas laterais do palco e os amplificadores de potência. Mas o que mais impressiona é saber que a grande parte dos profissionais que estão no Morumbi na verdade rodam o mundo ao lado de McCartney.

A trupe do ex-beatle, para se ter uma idéia, tem camareira, cozinheiro, seguranças pessoais, assessor de imprensa, técnicos de iluminação, cinegrafistas, fotógrafos, engenheiro de som, auxiliar de palco e uma série de outros profissionais.

São 216 pessoas na equipe fixa de Paul McCartney. Eu perguntei sobre o cozinheiro, se é exclusivamente para Sir Paul McCartney. Recebi a explicação que o mestre cuca é também nutricionista. Ele é responsável pela orientação e acompanhamento de todos os envolvidos na turnê. Afinal passam pode dezenas de países e com culinárias das mais diversas. Imagine uma intoxicação alimentar nesse time?

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20/11/2010 às 10h31

Onde estão os ingressos?



Se o interessado procurar ingressos na internet para os shows de Paul McCartney provavelmente não encontrará. Receberá uma mensagem dizendo que está tudo esgotado. Mas não é isso que encontrei no Morumbi. As bilheterias estão vendendo os ingressos mais baratos e os cambistas, com os ingressos para lugares especiais, estão fazendo a festa do lado de fora.

Então resolvi entender como funciona o mundo dos cambistas. Para isso me infiltrei entre eles. Perigoso, deve estar perguntando o leitor? Nada disso. Na verdade é até engraçada a rivalidade entre eles. Um quer mostrar mais conhecimento do que o outro. Acabam abrindo o bico facilmente. E não precisei ficar muito tempo em torno do estádio, puxando conversa e criando intimidade, para saber detalhes sobre o mecanismo de trabalho dessa turma que ganha dinheiro revendendo, com uma boa margem de lucro, os ingressos esgotados nas bilheterias e impossíveis de encontrar na internet. Eles falam abertamente sobre o assunto.

Rogério, um cambista conhecido na área e com 15 anos de experiência, me disse que tem pena das pessoas que vão ver o show de Paul McCartney: “muita gente de idade anda procurando ingresso. Tenho pena desse povo. Acho que esse público merecia que tivesse cadeira no campo, Esse negócio de ficar em pé para ver o show vai matar a velharada. Mesmo que o ingresso fosse mais caro um pouco. Esse show é para ver sentado”. O cambista ainda completou dizendo: “esses empresários só pensam em ganhar dinheiro”.

Outro cambista, um cearense conhecido como Junior, funciona como se fosse um micro empresário. Distribui cartões de visita, com telefone para contato. No cartão, em destaque, a informação que ele consegue entradas para qualquer tipo de show. O comunicativo Junior, por exempo, entrega em domicilio o ingresso para o show de Paul McCartney. Na esquina fica um sócio montado na motocicleta. O celular do cambista toca e o motoqueiro sai voando para mais uma entrega. O negócio vai muito bem, obrigado.

Mas de onde vêm os ingressos que os cambistas vendem na porta do Morumbi? Eles garantem que vem dos próprios associados do São Paulo Futebol Clube. Cada sócio do clube tem direito a uma cota de ingressos – inclusive com o privilégio de comprar antes dos demais interessados. E mais barato também. Os mesmos lugares que foram vendidos por R$ 600,00 para o publico em geral podiam ser adquiridos pelos sócios do São Paulo por R$ 130,00. Então, alguns desses ingressos, chegaram às mãos dos cambistas por R$ 200,00, dando ao associado um pequeno faturamento de R$ 70,00. Agora os cambistas vendem esse ingresso por R$ 800,00 na porta do Morumbi. Um faturamento de R$ 600,00 limpinhos, limpinhos. Sem pressão e fiscalização da polícia.

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20/11/2010 às 12h30

Camarim sem frescura!

A madrugada de sexta para sábado foi bem movimentada no Morumbi, São Paulo. Nada pode atrasar. Principalmente pelo fato de Paul McCartney ter confirmado com sua equipe que estará no local para passar o som (sound check) por volta das 20:00 horas de hoje, sábado. Então a ordem por aqui é correr. Um pergunta que não quer calar: Paul já chegou? Pab, o engenheiro de som, diz que sim! Chegou agora de manhã.

Aqui no estádio, no meio desse tumulto todo, encontrei uma turma que tem em mãos a lista oficial com as solicitações pessoais do ex-beatle. O papel tem até a marca do escritório de Londres em alto relevo.. Estiquei o pescoço e passei os olhos nas exigências do astro internacional. Antes pensei em centenas de toalhas brancas, vinhos raros, massagista e outros itens que geralmente a empresa divulga.

Na lista não tem, por exemplo, bebida alcoólica ou comidas típicas brasileiras. É na verdade uma lista muito simples. Tem laranja, uva, banana, limas da pérsia e uma coqueteleira com coador. Em baixo da listagem existe um detalhe importante: as frutas precisam ser orgânicas. Nada de agrotóxico. Os produtores envolvidos com o camarim disseram que o mais “complicado” que McCartney solicitou foi que a uva não pode ter caroço. Também pudera. Já pensou uma engasgada com caroço de uva antes de subir ao palco?

E a decoração? A gente pensa logo em um ambiente chic, excêntrico, certo? Nada disso. Paul McCartney só fez um pedido. Que os móveis, de forma alguma, tenham pele animal. A mobília não pode nem ter estampa imitando pele animal ou mesmo couro artificial.

Pelos sorrisos e brincadeira pude constatar que a equipe responsável pelo camarim parece ser a mais tranqüila de toda a produção que envolve a presença de Paul McCartney em São Paulo.

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20/11/2010 às 18h54

Internacional x São Paulo

Impressionante a falta de informação por parte de algumas equipes envolvida na produção dos shows de Paul McCartney no Morumbi, São Paulo. Completamente diferente do quadro que encontrei em Porto Alegre, quando o ex-beatle apresentou recentemente seu espetáculo no estádio Beira Rio. Lá em terras gaúchas a equipe de assessoria de imprensa, por exemplo, era muito mais bem informada do que os profissionais paulistas responsáveis em passar para a mídia os detalhes da produção. No Rio Grande do Sul, para se ter uma idéia, sempre que ligava meu computador encontrava um e-mail contando novidades e dando projeções dos passos de Paul McCartney. Aqui em São Paulo é difícil até que alguém atenda ao telefone celular. O que pude perceber é que não se trata de uma equipe exclusivamente paulista. Boa parte dos profissionais que fazem a assessoria de imprensa de Paul McCartney em São Paulo vem do Rio de Janeiro. Aí fica no ar aquela “disputa boba” entre cariocas e paulistas. Algumas vezes, nesses dois dias, ouvi de membros da equipe responsável em passar informações aos jornalistas – para que possamos repassar ao publico – que essa é uma situação determinada pela produção internacional de Paul McCartney. Algo que não ouvimos da assessoria de imprensa de Porto Alegre. Fazendo uma analogia acredito que nesse jogo o Internacional (dono do estádio Beira Rio) goleou o São Paulo (proprietário do Morumbi).

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20/11/2010 às 18h55

Encontro em torno da música dos Beatles



Antes de voltar ao meu posto de observação no estádio do Morumbi passei no Little Darling, que é uma casa de shows em Moema, bairro tradicional de São Paulo. O local é reconhecido como principal reduto dos beatlemaníacos paulistas. Fica na Avenida Iraí, 229. Na tarde de hoje, véspera do show de Paul McCartney, aconteceu um grande encontro no Little Darling. Público formado principalmente por fãs dos Beatles e, conseqüentemente, de Paul McCartney. Muitos dos presentes eram músicos de bandas que tocam Beatles em diversas cidades brasileiras. Então a coisa toda virou um grande show. O palco não ficou vazio um minuto sequer. O encontro, organizado por Beto Iannicelli , respeitado músico e professor, marca o primeiro desse tipo realizado no Brasil. Tudo em clima de espera para o show de Paul McCartney. Mas, no meio da brincadeira, meu celular tocou. Do outro lado da linha a informação que Paul McCartney tinha confirmado a passagem de som para 20:00 horas. Larguei a festa, apesar de ser 17:00 horas e me dirigi para o Morumbi.

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20/11/2010 às 19h55

Segurança



Paul McCartney é esperado nesse momento para a passagem de som aqui no Morumbi. Enquanto o ex-beatle não aparece andei conversando com os responsáveis pela segurança no Morumbi. Não consegui arrancar deles o numero de seguranças particulares contratados para o show de amanhã. Falam em cerca de 500 seguranças particulares dentro do estádio. Mas consegui números exatos de policiais civis e militares escalados para o show. São 195 polícias militares do Batalhão da PM Metropolitana que estarão nos arredores do Morumbi. Além disso, vão colocar 67 viaturas e 40 homens a cavalo do lado de fora. Dentro do estádio estão escalados 250 policiais do Batalhão de Policiamento de Choque com o reforço de mais 20 motos e 20 cavalos. E existe um posto na Delegacia de Atendimento ao Turista, em frente ao Morumbi, que ficara de plantão com cinco investigadores, um delegado, o delegado responsável e dois escrivães.

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20/11/2010 às 20h01

Paul McCartney foge do hotel para passear no bosque



A conversa por aqui no estádio do Morumbi é que Paul McCartney "fugiu" hoje cedo do hotel onde está hospedado em São Paulo. E fugiu de bicicleta. O ex-beatle saiu de fininho do hotel e foi passear de bicicleta. Isso aconteceu pouco antes das 11:00 horas. Paul foi passear no bosque. Na verdade no parque. No Parque do Povo. Paul, de blusa branca e short preto e sem chapéu. Logo atrás, em outra bicicleta, estava Nacy Shevell, a namorada de Paul, que é empresária de Nova York que também está no Brasil. E a produção também acaba de informar que Paul McCartney já saiu do hotel e se dirige, nesse momento, aqui para o Morumbi onde fará uma passagem de som.

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20/11/2010 às 20h14

Será que vai chover?

Os músicos de Paul McCartney estão nesse momento no estádio Morumbi. Isso significa que Paul McCartney logo estará por aqui também. Percebo por aqui que parte da equipe de produção demonstra nítida preocupação com o ritmo na montagem do espetáculo. Tem muito que ser feito ainda. Com certeza vai dar tudo certo no final, mas os profissionais estrangeiros ficam o tempo todo olhando para céu. Não que estejam pedindo ajuda divina, nada disso! É que está com pinta que vai chover em São Paulo. Tivemos uma tarde extremamente abafada e o quadro continua nesse momento. Tudo indica que a apresentação de amanhã de Paul McCartney será debaixo de chuva. Vou sair e providenciar logo uma capa de chuva.

Confira a previsão do tempo em São Paulo, segundo o Clima Tempo:


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20/11/2010 às 23h36

Terminou a passagem de som



Sir Paul McCartney cumpriu religiosamente o que estava sendo guardado em segredo (mas que adiantamos aqui no Folha Vitória). O ex-beatle apareceu no estádio do Morumbi e realizou o sound check, a passagem de som. Pouco depois das 20:30 horas, bem atrás do palco, encostou um carro blindado cercado de motociclistas, batedores, da Policia Militar de São Paulo.

McCartney saiu do carro tranquilamente, acenando e conversando com os técnicos e produtores Em cima do palco, onde já se encontravam os músicos, ficou por quase uma hora. Tocou todos os instrumentos que vai utilizar nos shows. Cantou pouco menos de nove músicas, entre elas, The Fool On The Hill, And I Love Her e Bluebird. Do lado de fora era possível ouvir os aplausos dos fãs.

Não sei dizer quantos estavam nos arredores do Morumbi, mas era possível ouvir gritos e aplausos como se o publico estivesse em frente ao palco. A manifestação dos fãs foi tão calorosa que, em certo momento, Paul McCartney mandou um “tank you” para a audiência do outro lado do portão.

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21/11/2010 às 12h36

Perigo vem do céu

Ontem, quando estava de plantão no estádio Morumbi, recebi a informação que tinha chegado na parte da manhã e saído do hotel para passear de bicicleta. Então, agora na parte da manhã, pequei o telefone e procurei maiores detalhes com amigos da Folha de São Paulo. Eles confirmaram que o ex-beatle chegou ontem, sábado, e foi logo andar e bicicleta no parque da Vila Olímpica, bairro de São Paulo. Outra informação apurada agora cedo é que o passeio de Paul poderia ter tido um final trágico. McCartney, de bicicleta, cruzou o gramado do Parque do Povo onde estava acontecendo a final do Circuito Nacional de Bumerangue. Então, um dos mais famosos artistas do mundo, poderia ter levado uma bumerangada na testa!

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21/11/2010 às 15h36

Chegada no Morumbi

Por volta das 13h desci do táxi bem em frente ao Morumbi. Cheguei cedo por alguns motivos. Inicialmente queria ver a movimentação em torno do estádio, comportamento das pessoas, os "negócios dos cambistas" e também trocar meu ingresso por outro que permitisse ficar em um local mais privilegiado. Já estava bem cheio, bem animado. Não vou dizer lotado pelo fato que, poucas horas depois, o local ficou intransitável. Mas, quando cheguei e olhei as ruas ao redor do Morumbi, pela primeira vez, achei que não era possível caber mais uma pessoa sequer. É aquela máxima: nada está tão ruim que não possa piorar. Vou tentar assistir o show em frente ao palco. Na verdade tenho um ingresso de cadeira cativa, mas gostaria de trocar por um lugar em frente ao palco. Ontem, depois da passagem de som, os amigos da produção me informaram da dificuldade de assisti o show da house mix – como aconteceu em Porto Alegre. Parece que amigos e familiares de Nacy Shevell, namorada de Paul McCartney, estão em São Paulo. Com a house mix reservada o negócio é procurar outro lugar para ver o primeiro show de McCartney em São Paulo.

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21/11/2010 às 17h18

Os preços

Comecei a observar e anotar alguns preços de produtos oferecidos aos que estão nas dezenas de filas formadas ao redor do Morumbi nesse momento. Como a chuva é anunciada pelos profissionais do tempo e comentada por todos no local, logo apareceram os vendedores de capas plásticas. Aquelas capas de chuva vagabundinhas que ficam armazenadas em saquinhos que cabem no bolso. No começo da tarde estavam sendo vendidas por R$ 10 cada. Agora há pouco o preço caiu pela metade e eu logo pensei: fui roubado! Ou será que os ambulantes sabem que não vai chover e, por isso, criaram a promoção? Mas estamos todos observando a movimentação das nuvens e suportando o ambiente abafado, típico da antecipação da chuva.

A água está sendo vendida por R$ 3,00 a garrafa. E preciso cuidado. O negócio é beber pouco, só mesmo para hidratar o corpo, pois se o cidadão tiver vontade de ir ao banheiro terá que desembolsar R$ 2,00 pelo direito de entrar numa fila e encerrar o cubículo químico que, com certeza, está com um insuportável "cheiro campestre".

Os cambistas também estão fazendo a festa nesse momento na porta do Morumbi. Centenas deles vendem e compram ingressos. E tem ingressos para qualquer lugar e por valores até três vezes maior do que o estampado no verso. Mas o interessado tem que prestar muito atenção pois alguns são, descaradamente, falsos.

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21/11/2010 às 17h39

Chegadas triunfais

Algumas personalidades estão chegado para o show.Todos passam, obrigatoriamente, pelo meio de alguma fila. Na verdade, o Morumbi, nesse momento,está totalmente "abraçado" por filas e filas intermináveis. Quando Paul McCartney chegou, por exemplo, foi o maior alvoroço. O ex-beatle entrou no estádio quase que pendurado na janela do carro e acenando alegremente para a multidão. Todos que estão nas filas ao redor do portão principal aplaudiram e gritaram freneticamente. Outra personalidade que, ao chegar, chamou atenção foi Zeca Camargo. O apresentador do Fantástico até que tentou ser o mais discreto possível, mas a multidão não livrou a cara do jornalista e vaiou muito. Se fosse só vaia tudo bem. Alguns empolgados também ofenderam a honra do rapaz. Esse é verdadeiro show da vida!

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21/11/2010 às 17h42

Beatlemania brasileira

Encontrei, circulando ao redor do Morumbi, com duas figuras que merecem destaque. Entre os milhares de fãs brasileiros dos Beatles alguns ganharam, ao longo dos anos, destaque e respeito. São pessoas determinadas, obstinadas e que, em muitos casos, se sacrificam para manter acessa a chama da Beatlemania no Brasil. Sem nenhum exagero, eu os reverencio. Agora há pouco tive o prazer de abraçar o querido JC, José Carlos Almeida, de Itabuna, Bahia. Ele é o homem por trás do Porta Beatles Brasil, o mais respeitado site brasileiro sobre o quarteto de Liverpool. Enquanto conversávamos pude perceber o quanto ele é querido e admirado por todos. Lembrando que a maioria dos que estão nas intermináveis filas do Morumbi souberam dos detalhes da presença de Paul McCartney através das informações encontradas no www.beatlesbrasil.com.br. Outro que acabo de encontrar é o Luiz Antonio da Silva, lendário fundador do Beatles Cavern Club Brasil, de São Paulo. Antes da internet existir era através dele que sabíamos o que acontecia.

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21/11/2010 às 17h46

Capixabas na fila



Estou andando para cima e para baixo observando o ambiente e tentando encontrar um cambista honesto (sei que isso é raro, mas eu ainda deposito muito crédito na humanidade). De repente fui chamado por três capixabas que estão numa fila, na verdade bem no começo da fila formada no portão de acesso ao local válido para meu ingresso. Aquele ingresso que - já comentei aqui - gostaria de trocar por outro mais bem localizado. Os capixabas, de Colatina, Jonadir Bossi, empresário, José Odenir, dentista, e a filha Maria Eugênia, estudante de medicina, entraram na fila pouco depois do meio dia. Felizes da vida, munidos de guarda chuva – não esperando água do céu, mas se protegendo do mormaço - eles abriram espaço e eu engrossei o grupo do Espírito Santo.

Há pouco localizei por celular o meu "personal cambista", que prontamente foi ao meu encontro na fila com um ingresso para troca de lugar dentro do estádio. Coloquei o ingresso que comprei na internet, e que recebi em casa, ao lado da entrada em poder do cambista. Rapidamente comparei um com o outro. O dele, nítida e descaradamente, era falso! Agradeci e naquele momento tomei a decisão de ficar onde estava. O cambista virou as costas e foi procurar outra vítima.

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21/11/2010 às 20h03

Para todas as idades

Entrei no Morumbi, E meu lugar permite ótima visão do palco. Estou numa cadeira, bem na primeira fila e com ampla visão de tudo. Aos poucos o estádio está lotando. Os promotores fala em 60 mil pessoas. Fãs de todo o Brasil agem quase como torcidas organizadas. trouxeram cartazes e bandeiras. Muito produziram camisas personalizadas para o evento. Camisetas alusivas ao show e com detalhes específicos. Um grupo de Recife, por exemplo, circulava com camisetas tendo o rosto Paul McCartney ao lado das bandeiras do Brasil, Inglaterra e de Pernambuco. Nas costas a frase: os Almeida assistiram de perto! O mais velho dos quinze membros da família Almeida tem 62 anos. O mais novo 13 anos.

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21/11/2010 às 21h20

Aplauso para quem?

Estamos esperavam a entrada de Paul McCartney para qualquer momento. Mas, agora há pouco, aconteceu uma grande movimentação nas cadeiras especiais que ficam bem atrás do lugar onde estou. Estiquei o pescoço – e todos que estão nesse lado do Morumbi - e para ver o motivo dos aplausos? Consegui ver, acenando e agradecendo a manifestação, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e José Serra, candidato derrotado nas recentes eleições. Eles também curtem Paul McCartney.

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21/11/2010 às 21h24

Sofrível espera

Enquanto todos entram e se acomodam, um DJ, lá do palco, comanda uma seqüência musical. Acredito que o rapaz, que não consegui apurar o nome até agora, tenha recebido orientação de fazer uma seleção musical eclética. Devem ter dito para o DJ que teria que agradar gregos, troianos, mineiros e baianos. O sujeito perdeu a mão. Toca de tudo um pouco. Está fazendo uma salada musical e provocando indigestão na metade do Morumbi. Me faz sentir saudade da fila do lado de fora. Que, por sinal, estava mais animada. O show vai começar! Então volto amanhã com todos os detalhes para o querido leitor.

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22/11/2010 às 12h14

O Show

Paul McCartney, vestido com um chamativo blazer azul, entrou no palco exatamente às 21h37. Entrou e ficou quase um minuto acenando e agradecendo a explosão de alegria dos fãs. Pelo telão, dava para perceber a emoção de Sir Paul. Abriu o espetáculo da mesma forma que fez em Porto Alegre. Inclusive utilizando as mesmas frases e tocando o mesmo set list, seqüência musical. Mas não poderia ser diferente. Cada canção do espetáculo está atrelada a uma iluminação específica ou a uma projeção pré- programada. Não é possível o artista, num espetáculo dessa grandeza, encaixar músicas ou resolver pular uma canção sem um prévio acerto com a área técnica. Isso simplesmente destruiria a concepção do espetáculo. Portanto, para decepção de muitos, Paul McCartney fez o show de sempre.

Também falar que Paul McCartney fez o show de sempre é, de minha parte, simplista demais. Ele fez o melhor show que eu assisti na vida. O mais vigoroso, emocionante e participativo de todos os oito shows de McCartney que tive oportunidade de ver. Lembrei agora do comentário que ouvi lá em casa, da minha mulher, que ao saber que estaria em São Paulo para os dois últimos shows dessa turnê brasileira, me perguntou: "Mas você já não viu esse mesmo show?". Agora eu posso responder que sim, mas nada foi parecido com isso!

Como disse, a seqüência musical foi exatamente igual, mas energia entre o público e o artista foi única. O publico presente ao Morumbi foi uma atração especial.

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22/11/2010 às 12h14

E a tão esperada chuva?

Os meteorologistas erraram. Ainda bem que erraram! E erraram feio. Não choveu. E, para carimbar a falha dos profissionais do tempo, sobre o palco brilhava uma enorme lua cheia. A capa de chuva, que comprei por R$ 10,00, ficou no fundo da mochila.

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22/11/2010 às 12h15

Momentos especiais





Quando Paul McCartney tirou o chamativo blazer azul, depois da música Highway, sexta no repertório, o público delirou como se fosse um sensual strip-tease. A banda, enquanto Paul ficava somente de camisa branca, suspensório e calça preta, tocou acordes sensuais.

My Love, clássico romântico do tempo da banda Wings, também merece destaque. O estádio todo cantou junto. Eu me arrepiei e telefonei para casa na tentativa de fazer um "carinho" na minha mulher. Acho que todos tiveram a mesma idéia, pois não consegui completar a ligação. No final da música, McCartney disse, em português: "É bom estar de volta ao Brasil, terra da música linda".

Paul McCartney, por sinal, "falou" menos português em São Paulo do que em Porto Alegre. No Rio Grande do Sul, o ex-beatle usou expressões e gírias tipicamente gaúchas. O que, por sinal, provocou um simpático efeito cênico. Aqui em São Paulo ele repetiu quase as mesmas frases. Mas, sem sombra de dúvida, nenhum outro astro internacional em passagem pelo Brasil, conversou, se expressou ou disse frases de efeito em português quanto Paul McCartney.

O ex-beatle estava tão solto no palco, se sentindo tão em casa, que no meio da música "And I Love Her" virou de costas e rebolou. O cinegrafista responsável pelas imagens do telão de alta definição aproveitou e deu um close do traseiro de McCartney. A platéia, mais uma vez, se rasgou.

Outra dançinha que agitou o Morumbi – e isso já tinha acontecido no Beira Rio, em Porto Alegre – ficou por conta do baterias Abe Laboriel. O músico, durante a execução de “Dance Tonight”, ficou de pé em frente a bateria e dançou no melhor estilo da coreografia de Macarena. Dessa vez, depois que a música chegou ao fim, Paul pediu que Laboriel fizesse novamente, para mais aplausos dos presentes no estádio.

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22/11/2010 às 12h15

Nós que agradecemos



Uma grande surpresa ficou por conta do guitarrista Rusty Anderson que, ao final de “Peperback Writer” mostrou as costas de seu instrumento para o telão onde foi possível ler “obrigado” em português. Essa prova de carinho com o público não aconteceu em Porto Alegre.

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22/11/2010 às 12h15

A surpresa deu certo





Os fãs presentes prepararam uma surpresa para Paul McCartney. Nos últimos meses rodou na internet uma história que todos deveriam levar bolas brancas para prestar uma homenagem o ídolo. E que, durante a música “A Day In The Life”, deveriam acenar com as bolas nas mãos. Achei, na ocasião, que a coisa não daria muito certo. Lá fora, na fila, vi algumas pessoas distribuindo brancas bolas de festa de aniversário. Mas, ao primeiro acorde do clássico dos Beatles, o Morumbi ficou branco, coberto de bolas brancas acenadas de todos os cantos. Tinham bolas brancas na arquibancada, nas áreas vips, nas pistas e principalmente em frente ao palco. No fim da canção o público jogou as bolas para o alto e Paul McCartney praticamente desapareceu. Sensacional. Paul, recuperado do susto, foi ao microfone e disse: “simplesmente lindo!”

O show de Paul McCartney também veio para registrar que estamos na era digital. Não estou falando da alta tecnologia utilizada no espetáculo. Estou me refiro ao bom uso do celular durante a música “Let It Be”. Paul cantou tendo imagens de velas acesas exibidas no telão central. O público imediatamente correspondeu levantando celulares ligados. O Morumbi parecia um céu estrelado. E para fechar a quadro, no alto do palco, a lua cheia iluminava São Paulo e decretava que a chuva era algo do passado.

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22/11/2010 às 12h15

Explosão de sentimentos





Depois de “Let It Be” entraram com “Live And Let Die”, Então, conseqüentemente, fiquei esperando as tradicionais explosões que acontecem nos show de Paul McCartney durante a execução desse clássico de um dos filmes da serie do Agente Secreto 007. Não tinha visto nada igual antes. Em nenhum dos outros shows de McCartney, que tive oportunidade de acompanhar de perto, as explosões foram tão espetaculares. Na boca de cena, em frente da banda aconteceram coloridas e festivas explosões. Enquanto isso, por trás do palco, fogos de artifícios eram lançados ao ar. Ao dava para saber para onde olhar. De tirar o fôlego.

Outro ponto diferenciado desse show em São Paulo foram as quarenta torres de luz instaladas sobre o anel superior do Morumbi. Um elemento cênico extraordinário e que não foi utilizado no show de Porto Alegre. Essas torres, com suas mudanças de cores e formas, deram um envolvimento enorme ao público presente ao estádio.

O show acabou exatamente 24 minutos depois da meia noite (lembro que começou às 21h37). E o último momento de surpresa da noite ficou por conta da saída final de Paul McCartney do palco. Depois de várias idas e vindas para o aplauso dos presentes, um tropeço levou o ex-beatle ao chão. Agilmente ele levantou sozinho, virou para o publico e, com a bandeira do Brasil nas mãos, acenou como se estivesse dizendo “estou bem” enquanto o Morumbi soltava um sonoro “óóóóóóó”.

Imediatamente depois disso o telão e as luzes do palco foram apagadas. Foi quando, ao meu lado, um gaiato lembrou um dito popular: “Rapaz, que perigo! Velho morre de diarréia ou de queda, né?”. Tenho absoluta certeza que se isso tivesse acontecido Paul McCartney morreria feliz, pois esse foi um dos melhores show que ele fez em sua gloriosa e bem sucedida carreira. Pelo menos, foi o melhor que eu já tive oportunidade de ver. Para aquele espirituoso fã eu respondi imediatamente: “Amigo, um Paul McCartney não morre nunca”. E, apontando para o céu, completei: “No máximo fortalece a luz daquela lua”. E mando daqui um recado para Alcione, minha amada mulher, que perguntou, na saída de casa, se eu não já tinha visto esse show: nunca vi nada igual!

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22/11/2010 às 14:48

Hot Sound, isso é que é mordomia

Amigo leitor, nesse momento estou dentro do Morumbi. Estou passando mensagem de texto via celular. Estou numa área vip onde é proibida a entrada de computadores. Local confortável, ar condicionado, ambiente agradável. Somos duzentas pessoas. Esse ingresso é chamado de Hot Sound e custa uma verdadeira fortuna. Em breve estarei explicando todos os detalhes do Hot Sound. Mas posso adiantar que é bem diferente daquela confusão de ontem, quando enfrentei as intermináveis filas que davam acesso ao primeiro show de Sir McCartney em São Paulo. Daqui a pouco, para se ter uma idéia da mordomia, servirão o almoço vegetariano escolhido pessoalmente por Paul McCartney. Depois vamos acompanhar a passagem de som. Estarei repassando detalhes em breve.

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22/11/2010 às 17h33

Chuva pode cancelar show de McCartney em SP

Estou nesse momento dentro do Morumbi e protegido da chuva que atinge São Paulo na tarde desta segunda-feira. Acabam de suspender o sound check de Paul McCartney pelo fato do palco estar completamente molhado. A produção diz que existe real possibilidade de suspenderem até mesmo o show. Fora do Morumbi a fila é grande e aqui dentro somos 200 convidados especiais. Vou manter o leitor do Folha Vitória informado via torpedo, já que não existe no momento acesso ao computador. Em breve mandarei mais notícias aqui de dentro do estádio do Morumbi.

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22/11/2010 às 18h50

Chuva dá trégua e show de Paul McCartney vai acontecer

O show vai continuar. Finalmente os portões do Morumbi foram abertos ao público que até há pouco penava debaixo da chuva. Os organizadores não falam mais em suspender o show. Parece que não vai chover mais. Nesse momento, os técnicos correm contra o tempo para secar os equipamentos do palco. Clima tenso entre as equipes de trabalho. Se tivermos novidades, informarei os leitores do Folha Vitória via torpedo.

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22/11/2010 às 19h50

Volta a chover forte no Morumbi

Volta a chover forte em São Paulo. Muita chuva e poucos locais para que o público possa e abrigar. Os que estão em frente ao palco são os mais prejudicados, justamente os que compraram as entradas mais caras. Cancelamento do show não é mais cogitado. Até pela significativa presença de público dentro do Morumbi. Uma coisa é certa: o espetáculo está prejudicado. A tão anunciada chuva de ontem chegou agora. Daqui a pouco repasso, diretamente do show de Paul McCartney (via torpedo), outra informação para o leitor do Folha Vitória.

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22/11/2010 às 20h50

O show começa dentro de instantes

Saiba, amigo leitor, que nesse momento estou protegido da forte chuva que caí sobre São Paulo. Dentro de instantes começa o segundo show de Paul McCartney no Morumbi. Eu voltarei com mais noticias manhã. Com todos os detalhes. Até lá!

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23/11/2010 às 10h41

O último dia

Segunda, 22 de novembro, dia do último show de Paul McCartney em São Paulo e fechamento da turnê Up And Coming na América do Sul. A cidade de São Paulo amanheceu sem sol, tempo fechado, e novamente com aquele ar que vai inevitavelmente chover. Mas, como no dia anterior apostei na chuva e ela não veio, achei que não seria esse o grande problema. Estava enganado. Pequei minha inseparável mochila e fui em direção ao Morumbi para mais uma etapa da minha peregrinação. Posso chamar assim esses dias. Nos últimos quinze dias estou "perseguindo" Paul McCartney, nessa terceira passagem do ex-beatle pelo Brasil.

Na ida para o estádio, dentro do carro, fiquei pensando que tive oportunidade de assistir as apresentações de McCartney em condições diferenciadas, bem específicas. Em Porto Alegre, por exemplo, fiquei no conforto da house mix, junto aos competentes técnicos de Paul McCartney. E foi no estádio Beira Rio que acompanhei de perto – também na área de uso exclusivo dos profissionais da técnica - as duas passagens de som e, em uma delas, com o próprio McCartney entrando no local para conversar com Paul Pab, seu engenheiro há 20 anos. E aqui em São Paulo, na noite de sábado, acompanhei - também como convidado dos técnicos - a passagem de som de Paul e seus maravilhosos músicos. E no domingo, dia do penúltimo show no Brasil, enfrentei uma gigantesca fila, pequei sol na cabeça, negociei com cambista e fui assistir ao show nas cadeiras cativas - de onde tive uma visão geral do palco e do público. Um momento único e inesquecível, pois Up And Coming é um espetáculo que pode ser visto também de longe.

Mas ontem, segunda, 22 de novembro, seria completamente diferente. Nos shows anteriores tive sorte, muita sorte, de ficar em bons lugares. Por ajuda divina acabei assistindo as passagens de som, encontrei com os músicos, soube detalhes com os técnicos e também vi Paul McCartney entrar de surpresa no local onde estávamos. Mas agora, no último show no Brasil, seria diferente. Carregava comigo, na velha e inseparável mochila, um ingresso Hot Sound, o Vip dos Vips. Ingresso com direito a chegar mais cedo no estádio, tranqüilamente, sem fila e sem tumulto. Incluindo almoço no local, com bebida e comida a vontade, salão com ar condicionado, lindas recepcionistas, ambiente a meia luz. E ainda com direito de ser levado carinhosamente para um lugar reservado bem em frente ao palco para acompanhar a passagem de som como convidado especial. Das outras vezes assisti o sound check de Paul McCartney clandestinamente. Agora eu seria um Vip. Mas toda essa mordomia acabou indo por água abaixo.

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23/11/2010 às 10h43

Hot Sound

Sempre que faz o sound check, a passagem do som que é realizada horas antes do show, Paul McCartney recebe apenas 200 convidados para assistir tudo de perto. Isso acontece em todas as etapas da turnê Up And Coming. O ingresso Hot Sound é vendido exclusivamente através do site oficial de McCartney. Não se trata de uma ação dos produtores locais. É algo organizado pelo escritório inglês de Sir Paul McCartney. O próprio Paul escolheu o cardápio vegetariano que é servido ao pequeno grupo de felizardos. Também, por determinação do artista, o local onde os fãs ficam confortavelmente instalados, não pode ter nada feito com couro animal. O ingresso Hot Sound custa $ 1.450,00. Não escrevi errado não. Então não precisa ser um Oswald de Souza para concluir que, em cada passagem de som, o escritório de Paul McCartney fatura exatos duzentos e noventa mil dólares.

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23/11/2010 às 10h47

O cardápio especial

Consegui com a produção o cardápio escolhido pessoalmente por Paul McCartney.

SALGADOS

Crostines de cogumelos c/ salsa de papaya verde
Wrapps com caesar salad e coulis de alcaparras
Queijo de coalho com geléia de maracujá e tomate
Tortilla de batatas
Crepe de curry com banana da terra e palmito pupunha
Mini soufle de queijo
Vol au vent de pêra e roquefort
Guiosa de legumes com molho tailandês
Cestinhas de massa filo c soufle de gorgonzola
Cestinhas de filo com abóbora , nozes e salvia


ALMOÇO

MONTAGEM:
Mix de verdes com raddichio, tomate cereja , queijo Fetta, nozes e damasco servidos com redução de aceto e mel Quinoa com legumes grelhados e castanhas de cajú
Quiche de alho porró
Risoto de alcachofra
Capelli (massa recheada) de Brie ao molho de tomate concassé


SOBREMESAS

Torta mousse de chocolate com coulis de frutas vermelhas
Mix de frutas frescas
Café


MIX DE FRUTAS SECAS:

Nozes
Amêndoas
Castanha de caju
Castanha do Pará
Amendoim
Damasco


MINI SANDUICHES

Pão de grãos com abobrinha , hortelã e cream cheese
Pão sirio com ricota temperada , cenoura , nózes e agrião


BOMBONS E CHOCOLATES

Bombons de chocolate branco
Bombons de nozes
Bombons com amêndoas
Bombons mousse
Bombons de chocolate amargo

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23/11/2010 às 10h53

Entrou água

Tudo estava funcionando muito bem até a chuva cair. O almoço já tinha sido servido e todos esperavam tranquilamente o chamado para a passagem de som. Foi quando chegou o aviso: nada aconteceria por causa da chuva. O palco estava alagado. Então, o ambiente, que tinha atmosfera inglesa, acabou virando um ensaio carnavalesco. Os produtores locais não tinham capa de chuva em número suficiente para atender os duzentos convidados. Pediram para que os "sem capa levantassem a mão". Foram, bem provavelmente, buscar o restante com os vendedores ambulantes do lado de fora do estádio. Nesse meio tempo um rapaz da produção brasileira pegou o microfone e tentou atuar como animador de auditório. Trágico. Parecia festa infantil na casa do cunhado. Os convidados ficaram impacientes. Buscavam respostas com relação ao ressarcimento do dinheiro. Foi quando chegou a informação oficial que devolveriam o valor através dos cartões de créditos utilizados para compra do ingresso Hot Sound. Nesse momento me levantei e, na maior cara de pau, fiz uma contraposta: "podem ficar com o dinheiro, mas, diante da ausência da possibilidade de acompanhar o sound check, o próprio Paul McCartney poderia passar por aqui e dar um alô para a gente?". Minha proposta foi aplaudida por todos e ignorada pela produção. Pelo menos tentei. Sei lá se cola?!

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23/11/2010 às 11h14

Vips batendo cabeça

Fomos levados para frente do palco debaixo de chuva. A promessa naquele momento era que entraríamos na pista Prime - que custava R$ 600,00 – antes de todo mundo e que cada um receberia uma camiseta oficial da turnê como forma de amenizar a situação. Chegamos no interior do estádio e percebemos que os portões já tinham sido abertos, portanto o local prometido pela organização já estava ocupado. E a camiseta que me foi entregue é, no mínimo, quatro números menores do que uso habitualmente.




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